7 Tipos de Oração para se Comunicar com Deus de Forma Clara e Intencional

Quantos tipos de oração você conhece? Já percebeu que, dependendo da sua intenção, sua oração ganha contornos diferentes? Da mesma forma que a comunicação humana envolve clareza e propósito, quando conseguimos ser mais intencionais na oração, podemos experimentar acessos mais elevados.

A oração é a conexão direta entre o ser humano e Deus, um diálogo que vai além de palavras e se traduz em fé, dependência e intimidade com o Criador. Charles Spurgeon afirmou: “A oração é a chave do céu, e a fé a mão que gira na fechadura”. Será que estamos usando essa chave efetivamente?


Para sermos eficazes nesse diálogo, traremos uma abordagem da renomada teóloga Valnice Milhomens, que apresenta sete tipos de oração, a depender do nosso propósito. Talvez, conhecer essas nuances, seja o que falta para tornar sua comunicação com Deus ainda mais intencional e assertiva!

Oração Como Estilo de Vida

A oração é uma das práticas mais transformadoras da vida cristã. Por isso, orar não pode ser um ato esporádico, mas um estilo de vida. Uma forma pela qual experimentamos o agir de Deus em nós e por meio de nós. Para Spurgeon “A oração é a respiração da alma”, enfatizando que, assim como precisamos do ar para viver, precisamos da oração para nos manter espiritualmente vivos.

Paulo nos ensina: “Orai sem cessar” (1 Ts 5:17). Isso não significa passar o dia inteiro de joelhos, e sim viver em comunhão com Deus — seja em um pensamento sincero, um suspiro em meio à correria, uma lágrima derramada em silêncio. Enquanto dirigimos, cozinhamos ou realizamos nossas tarefas diárias, nossa alma pode respirar as ares do Reino dos Céus. Como disse Leonard Ravenhill: “Nenhum homem é maior do que a sua vida de oração”. Você já experimentou essa caminhada diária com Ele?

Como Devemos Orar?

A melhor maneira de aprender algo é praticando, e o mesmo se aplica à oração. Jesus nos ensinou a orar com sinceridade, sem vãs repetições, confiando que Deus nos ouve e responde (Mt 6:7-8). E em Lucas 11, deixou registrado o maior modelo: A Oração do Pai Nosso. Uma aula de como alinhar nosso coração com a vontade divina.

Jesus deixou claro que nossas orações são atendidas quando feitas em Seu nome (Jo 14:13-14). Não se trata apenas de mencioná-Lo ao final da oração, mas de reconhecer que Deus “lhe deu um nome que é sobre todo nome.” (Fl 2:9-10). Orar em Nome de Jesus significa crer que Ele é o mediador entre Deus e nós (1 Tm 2:5).

Intencionalidade na Oração

Você já percebeu que, dependendo do momento, sua oração pode ter um foco diferente? Às vezes, ela se volta totalmente para Deus, em adoração e louvor. Outras vezes, nos concentramos em nossas próprias necessidades ou intercedemos por outras pessoas. Essa clareza de intenção em nosso diálogo com o Senhor pode levar nossa comunhão com Ele para um outro nível.

Paulo: 4 Tipos Essenciais de Oração

“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens.” (1 Tm 2:1). Neste versículo, Paulo instrui Timóteo sobre a importância da oração abrangente. Ele destaca quatro formas essenciais de oração: súplica (clamar por ajuda), oração (comunhão com Deus), intercessão (orar pelos outros) e ações de graças (expressar gratidão). A ênfase está na necessidade de interceder por todos os homens, demonstrando que a oração deve ser altruísta e inclusiva, refletindo o amor e a vontade de Deus para a humanidade.

Milhomens: Sete Tipos de Oração para se Relacionar com Deus em Diferentes Níveis

A renomada teóloga Valnice Milhomens e escritora de uma coletânea de livros sobre oração, avança no mapeamento bíblico para nos ajudar a visualizar essa dinâmica ao afirmar: “Existem vários tipos de semente, e cada uma produz de acordo com sua espécie.” Assim como uma semente só pode gerar um fruto específico, cada tipo de oração tem um propósito único e produz resultados distintos na nossa vida espiritual. Segundo sua abordagem, as orações se dividem em três níveis: voltadas para Deus, para nós mesmos e para o próximo. Dentro desses níveis, classifica sete tipos de oração, que nos ajudam a estruturar nossa conversa com o Senhor de forma clara e eficaz, conforme veremos nas próximas seções.

Oração Centrada em Deus: Relacionamento, Intimidade e Comunhão

Neste nível, toda a nossa atenção se volta exclusivamente para Deus. São orações que nos conduzem a uma relação mais íntima com o Criador, pois nos ensina a reconhecer Sua grandeza antes de pedir. Esse nível se manifesta de três formas principais: ações de graças, louvor e adoração, cada uma desempenhando um papel essencial na nossa jornada espiritual.

Ação de Graças: Agradecimento

A “Ação de graças” é um agradecimento pelas vitórias que recebemos em nossas vidas. A Bíblia nos incentiva: “Deem graças em todas as situações” (1 Ts 5:18). Quando paramos para reconhecer os cuidados de Deus: o fôlego de vida, o alimento sobre a mesa, a saúde, o trabalho, a família, praticamos a gratidão e ela atrai prosperidade. Quando alimentou uma multidão com pães e peixes, Jesus primeiro agradeceu ao Pai (Jo 6:11). Deu graças antes mesmo da provisão se manifestar. Praticar diariamente a gratidão pode tirar uma pessoa de uma situação de escassez, pois cumprimento de princípio resulta em bençãos. Quais são as bênçãos que você pode reconhecer hoje?

Louvor: Exaltação e Reconhecimento

O louvor é a oração que proclama as maravilhas do Senhor, enaltecendo Seus feitos e Seu poder. É reconhecer que fomos criados para o louvor Dele (Ef 1:12). Os Salmos (19:11 e 150:6) dizem que “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos” e que “Tudo o que tem fôlego louve ao Senhor. Aleluia!”. Se a natureza O louva, nós também! Isaias (38:19) faz uma declaração inspiradora: “Os vivos, somente os vivos, esses te louvam”. Estamos vivos! Como você pode incorporar o louvor no seu dia a dia?

Adoração: Amor e Entrega

Jesus declarou que “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4:23-24). “Adorar em espírito” é reconhecer os atributos de Deus, independentemente das circunstâncias. Jesus é a Verdade (Jo 14:6), e, portanto, “adorar em verdade” é ter a revelação de quem Deus é. A oração de adoração é feita por quem ama a Deus de todo o seu coração, de toda sua alma e com todo o seu entendimento (Mc 12:30). Essa oração envolve um coração quebrantado e uma rendição completa à presença de Deus, sem buscar nada em troca. Jó adorou a Deus mesmo diante da perda de tudo o que tinha: “O Senhor o deu, o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21).

O Louvor Leva à Adoração

Enquanto o louvor pode ser feito com palavras e cânticos, a adoração é um estilo de vida. Envolve amar a Deus acima de todas as coisas e obedecer à Sua vontade. Podemos louvar sem adorar verdadeiramente, mas não podemos adorar sem louvar. O louvor prepara nosso coração para a adoração genuína, levando-nos a um relacionamento mais profundo com Deus. Louvar é exaltar, adorar é se entregar. Você tem apenas louvado ou tem realmente adorado?

Oração Centrada em Nós: Necessidades e Alinhamento com Deus

Esse nível de oração trata do que precisamos, seja espiritualmente, emocionalmente ou fisicamente. Ela não é errada; pelo contrário, Jesus ensinou: ”em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica” (Mt 6:8). Milhomens apresenta 3 tipos de oração, neste nível com foco em nós mesmos: petição ou súplica, consagração ou dedicação e entrega. Acrescentaremos à lista um complemento à oração de súplica, com foco na confissão de pecados e pedido de perdão.

Petição ou Súplica: Apresentando Nossas Necessidades

A petição ou súplica é a oração em que apresentamos nossas necessidades a Deus, seja provisão, cura, proteção ou ajuda em determinada área. Em Filipenses 4:6, somos encorajados: “apresentem seus pedidos a Deus”. Jesus também nos ensinou sobre a importância de pedir: “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta” (Mt 7:7). Ana, em profunda angústia, orou ao Senhor com lágrimas, pedindo um filho e fazendo um voto de consagrá-lo a Deus. Sua fé, humildade e persistência foram recompensadas quando Deus lhe concedeu Samuel, que se tornou um grande profeta (1 Sa 1:10-11). Você tem confiado a Deus seus anseios?

Súplica por Perdão: O Caminho do Arrependimento

Você já sentiu o peso da culpa por algo que fez? Às vezes, erramos, tropeçamos em palavras (Tiago 3:2), tomamos decisões impulsivas ou nos afastamos da vontade de Deus. Mas a boa notícia é que “Deus não resiste a um coração contrito e quebrantado” (Sl 51:17). Davi pecou, ​​sofreu as consequências de seus erros, mas sabia qual era o caminho de volta: o arrependimento sincero. No Salmo 51:1 ele clama: “Tem misericórdia de mim, apaga as minhas transgressões”. Portanto, a oração de perdão pode ser vista como uma súplica, cujo foco é clamar pela misericórdia de Deus.

Confissão e Disposição para mudar

No entanto, ela vai além de um simples pedido — envolve confissão (1 João 1:9) e disposição para mudar. Também é preciso reconhecer o poder transformador e purificador do sangue de Jesus, que “nos purifica de todo pecado” (1 João 1:7). O sangue de Jesus não apenas perdoa, mas também nos purifica de toda a impureza, restaurando-nos à santidade diante de Deus. O perdão de Deus não apenas apaga nossas falhas, mas nos dá um novo começo.

Consagração ou Dedicação: Alinhamento Com Deus

A oração de consagração ou dedicação é aquela em que buscamos saber a vontade de Deus para nossas vidas. É comum sermos impulsivos e agir antes de orar, mas em 1 Timóteo 2:1 aprendemos a orar “Antes de tudo”. Essa oração é um ato de render ao Senhor nossos planos, confiando que Dele vem a resposta certa (Pv 19:21). Davi consultava ao Senhor antes de fazer qualquer coisa. Veja este exemplo em 2 Samuel 5:19: “E Davi consultou o SENHOR, dizendo: Subirei contra os filisteus? Entregar-mos-ás nas minhas mãos? E disse o SENHOR a Davi: Sobe, porque certamente entregarei os filisteus nas tuas mãos.” Eis porque ele era vitorioso em batalhas.

O Maior Exemplo de Consagração

Em Jesus temos o exemplo máximo de uma oração que reflete total submissão à vontade de Deus. No Getsêmani, orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres” (Mt 26:39). Aqui, Jesus estava sofrendo uma agonia como nenhum homem jamais sentiu, pois sua morte de cruz se aproximava. Contudo, submeteu-se à vontade do Pai. Você já orou sinceramente sobre uma decisão importante, disposto a aceitar a resposta de Deus?

Entrega: Descansando na Soberania de Deus

“Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá” (Sl 37:5). A oração de entrega é descansar totalmente em Deus, lançando sobre Ele toda a nossa ansiedade (1 Pedro 5:7). Davi, em momentos de aflição, entregava sua alma ao Senhor, buscando descanso. Ele orou: “De fato, fiz calar e sossegar a minha alma; sou como uma criança desmamada nos braços da mãe” (Sl131:2). Sua entrega demonstra uma fé madura, de quem aprendeu a confiar em Deus de todo o seu coração (Pv 3:5), pois o Senhor não permite “que o justo seja abalado” (Sl 55:22). Você tem confiado verdadeiramente suas preocupações a Deus?

Oração Centrada nos Outros: Intercessão

Neste nível, somos convidados a olhar para além de nós mesmos. Gálatas 6:2 ensina:  “Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.”. Quando oramos a Deus em favor de outros estamos praticando um tipo de oração chamado de intercessão.

Oração Intercessória: Orando Pelos Outros

Em Tiago 5:16 vemos claramente a natureza da intercessão: “Orai uns pelos outros, para que sareis.”. Orar por alguém é um ato de amor e de compaixão. Por que você acha que a Palavra nos instrui a orar pelos que nos perseguem (Mt 5:44)? Porque é impossível odiar alguém por quem acabamos de orar. Ao interceder, nos tornamos instrumentos de Deus para liberar perdão e graça. Além disso, esse princípio nos lembra que ninguém está sozinho na caminhada da fé e que todos nós necessitamos de intercessores. Quando foi a última vez que você orou fervorosamente por alguém que não fosse você mesmo? 

A Importância de um Coração Preparado para Interceder

Interceder exige sensibilidade espiritual e disposição para se colocar no lugar do outro. Milhomens afirma: “Antes que alguém se torne um intercessor efetivo, precisa saber como resolver seus próprios problemas.”. Entende-se que o intercessor é aquele que tem uma vida de oração e comunhão com Deus. Portanto, tem resultado e experiências pessoais e, agora, consegue transbordar vida em outras vidas.

Conclusão

É difícil esgotar esse assunto, pois a oração é uma das práticas mais transformadoras da vida cristã. Depois de meditarmos um pouco sobre os tipos de oração, percebe como cada um tem um propósito específico? Definitivamente, a oração não é um ritual frio ou uma repetição vazia, mas uma conversa intencional com Deus. 

Ao praticarmos a petição, a consagração e a entrega, experimentamos o cuidado divino em todas as áreas da nossa jornada. Você inicia suas orações registrando a grandeza do Senhor ou já começa focado em suas necessidades? Consegue interceder por aqueles que precisam de apoio espiritual, emocional ou físico? E confessar as falhas diárias com coração arrependido e disposto para mudar? Todos os tipos de oração são essenciais para uma caminhada cristã equilibrada. Qual deles você sente que precisa fortalecer mais?

É preciso ver a oração como um estilo de vida e não apenas como um recurso em momentos de necessidade. Orar a Deus é um privilégio. Quando vivemos em oração, Deus nos lembra de que nunca estamos sozinhos. Como disse EM Bounds: “A oração move a mão que move o mundo.”

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