“Muitas mulheres Cristãs manifestam uma glória de caráter que não é encontrada em nenhum homem público.” Essa frase de Charles Spurgion corrobora com o papel que as mulheres encontraram no ministério de Jesus. Muitas vezes, vistas como figurantes, elas, na verdade, tiveram uma participação muito mais significativa e ativa do que muitos imaginam.
Naquele tempo, as mulheres enfrentavam muitas restrições em praticamente todas as esferas. Mas, ao contrário do que se praticava, Jesus aboliu essas barreiras com Sua mensagem de amor universal. Ele não apenas as reconheceu como tratou-as com respeito e restaurou-lhes a dignidade.
Além de incluir as mulheres no ensino, habilitando-as como evangelistas e ensinadoras, Jesus permitiu que elas apoiassem e O seguissem de perto, dando-lhes um papel ativo em Seu ministério. Mais que seguidoras, foram mensageiras das Boas Novas e pioneiras na propagação da fé cristã.
O Papel Limitado das Mulheres na Sociedade Judaica
Contexto Social e Familiar
No primeiro século, as mulheres enfrentaram diversas limitações em praticamente todos os aspectos da vida. Na sociedade patriarcal da época, elas eram vistas principalmente como responsáveis pela casa e pelos filhos. Não tinham voz ativa nos debates públicos ou tomada de decisões importantes, além do pouco acesso a educação. Essa separação reforçava a ideia de que o papel feminino era secundário, sem espaço para liderança ou protagonismo.
Contexto Econômico
Em termos econômicos, as oportunidades também eram restritas. A maioria das mulheres era depende de seus pais, maridos ou parentes para seu sustento financeiro. Poucas conseguiram autonomia para gerar renda ou liderar negócios, e o sistema social reforçou essa dependência econômica.
Contexto Religioso
Religiosamente, a exclusão das mulheres era ainda mais evidente. Elas não participavam do ensino nas sinagogas, pois estudar ou se aprofundar nos ensinamentos religiosos era privilégio apenas dos homens. Não tinham nenhum papel ativo nos cultos e, na maioria das vezes, ficavam separadas da ala masculina. Você já imaginou como seria viver com tantas restrições?
O Resgate: Uma Nova Perspectiva Sobre as Mulheres
Resgate da Dignidade
Jesus trouxe uma visão revolucionária para a posição das mulheres em sua época, resgatando-as de uma posição, muitas vezes, marginalizada e restaurando-lhes a dignidade. Um exemplo claro é o encontro com a mulher samaritana (João 4), onde Jesus, rompe barreiras sociais, de gênero e religiosas ao envolvê-la em um diálogo transformador. Este gesto inédito mostrou que Ele via as mulheres como dignas de receber e compartilhar revelações espirituais.
Discipulado
Jesus foi além e incluiu mulheres entre seus seguidores próximos, algo totalmente incomum para um rabino da época. Um exemplo marcante é Maria, irmã de Marta, que se sentou aos pés de Jesus para aprender diretamente Dele (Lucas 10:38-42). Com essa atitude Ele estava afirmando que o aprendizado e a participação no Reino de Deus eram acessíveis a todos, independentemente do gênero.
Presença Nas Parábolas
Jesus usou elementos do cotidiano feminino em várias de Suas parábolas para garantir que as mulheres também compreendessem a mensagem do Reino. Na parábola da dracma perdida (Lucas 15:8-10), Ele fala de uma mulher que, ao perder uma de suas dez moedas, acende uma lâmpada, varre a casa e procura diligentemente até encontrá-la. Essa imagem do cuidado e da persistência era familiar às mulheres da época, tornando a mensagem acessível e próxima a elas. Da mesma forma, na parábola do fermento (Mateus 13:33), Jesus compara o Reino de Deus ao fermento que uma mulher mistura na massa até que toda a farinha esteja levedada. Ao incluir esses elementos, Jesus garante que Suas ouvintes femininas poderiam se ver em Suas histórias e, assim, compreenderem melhor Sua mensagem.
Testemunhas, Apoiadoras e Evangelistas: Ativas no Ministério de Jesus
Ato Profético
Maria de Betânia desempenhou um papel importante ao ungir Jesus com um perfume caro, em um ato que Ele mesmo chamou de profético, explicando que assim ela preparava Seu corpo para o sepultamento (Mateus 26:6-13). Os discípulos não compreenderam o ato, mas este gesto de Jesus mostrou que Maria não só entendia a profundidade da missão dEle, como também estava disposta a agir em resposta a essa compreensão, tornando-se uma verdadeira testemunha da Sua obra.
Testemunho e Evangelização
Maria Madalena, talvez a mais conhecida das seguidoras de Jesus, é mencionada em todos os quatro Evangelhos. Libertada de sete espíritos do mal (Lucas 8:2), ela não só experimentou cura, mas também encontrou o propósito de seguir Jesus. Ela esteve presente na crucificação e foi a primeira a testemunhar a ressurreição de Jesus, recebendo a missão de anunciar essa notícia aos apóstolos. Lembremo-nos, também, da mulher samaritana, que após seu encontro transformador com Jesus, evangelizou sua cidade, levando muitos a crerem nEle.
Apoio Financeiro
Joana, Susana e muitas outras mulheres, após serem curadas por Jesus, passaram a segui-lo e “serviam com seus bens” (Lucas 8:3). Elas utilizavam seus próprios recursos para sustentar Jesus e sua missão, provendo necessidades básicas como alimento e hospedagem. Isso era particularmente notável, dado o contexto da época, onde as mulheres raramente tinham controle direto sobre os bens financeiros. Joana também esteve presente na crucificação e foi uma das primeiras a encontrar o túmulo vazio.
Logística e Serviço
Além do apoio financeiro, as mulheres também se envolviam em atividades logísticas e de serviço. Elas preparavam refeições, organizavam encontros e cuidavam das necessidades práticas do grupo de discípulos. Esse apoio logístico permitia que Jesus e seus alunos focassem na pregação e nos ensinamentos.
Essas atividades demonstram que as mulheres não eram meras coadjuvantes no ministério de Jesus, mas participantes ativas e essenciais. Seu apoio financeiro, logístico e espiritual ajudou a sustentar e propagar a mensagem de Jesus, desafiando as normas sociais da época e estabelecendo um exemplo de fé e dedicação que continua a inspirar até hoje.
A Presença Feminina em Eventos Fundamentais: O Comissionamento
Na Crucificação: A Fidelidade das Mulheres
As mulheres apresentaram-se nos momentos mais exigentes do ministério de Jesus, mostrando uma fidelidade admirável, enquanto muitos homens se afastaram. Durante a crucificação, por exemplo, Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres foram firmes, testemunhando até o fim (João 19:25-27). Elas não hesitaram em enfrentar a dor e a indignação do momento, provando que sua lealdade e amor por Jesus eram inabaláveis. Essa coragem em um momento tão sombrio destaca o papel essencial que elas desempenharam na narrativa da paixão.
No Sepultamento e Ressurreição: A Coragem Feminina
Corajosamente, “Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro”. Após um “grande terremoto” o sepulcro se abriu. “Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos.”, mas as mulheres permaneceram lá e foram as primeiras a receber a notícia da ressurreição e a anunciar essa verdade extraordinária aos outros (Mateus 28:1-10).
O Comissionamento: A Habilitação
As mulheres tiveram a honra de ouvirem do anjo: “Vão depressa e digam aos discípulos, que já ressuscitou dentre os mortos”. “Amedrontadas e cheias de alegria, foram correndo anunciá-lo aos discípulos”. Ao receberem a missão do anjo “amedrontadas e cheias de alegria” correram apressadamente para cumpri-la, até que “De repente, Jesus as encontrou e disse: “Salve! ” Elas se aproximaram dele, abraçaram-lhe os pés e o adoraram.” Essas mulheres não só testemunharam um dos acontecimentos mais significativos da história, mas também foram comissionadas pelo próprio Jesus para serem as primeiras portadoras das Boas Novas, um papel de grande honra e responsabilidade.
Honra e Responsabilidade
Você consegue imaginar a honra e a responsabilidade de ser as primeiras portadoras das Boas Novas da ressurreição? Essa missão de compartilhar a alegria da vitória sobre a morte e a esperança da vida eterna é uma parte fundamental da herança que essas mulheres deixaram para a Igreja. Sua fidelidade e coragem não apenas marcaram a história, mas também inspiraram gerações de cristãos a viverem com um propósito ativo no Reino de Deus.
No Pentecostes
A presença das mulheres continuou a ser vital nos eventos que se seguiram à ressurreição, incluindo o Pentecostes. Em Atos 1:14, encontramos as mulheres reunidas com os discípulos no cenáculo, em oração constante. Entre elas estavam Maria, mãe de Jesus, e outras seguidoras fiéis. No dia de Pentecostes, elas estavam entre os primeiros cristãos que receberam o Espírito Santo (Atos 2:1-4).
Legado e Influência na Igreja Primitiva
Papel nas Primeiras Igrejas
Tendo participado do Pentecostes, as mulheres foram parte integrante da formação da igreja primitiva, recebendo os dons do Espírito Santo e participando da missão de espalhar o Evangelho. Nas primeiras comunidades cristãs, Priscila e Febe desempenharam papéis relevantes e influentes.
Priscila: Uma Professora e Missionária
Um exemplo notável de influência feminina é Priscila, que, junto com seu marido Áquila, se destacou como professora e missionária. Eles trabalharam juntos para ensinar Apolo, um eloquente orador, sobre o caminho do Senhor (Atos 18:26). A inclusão de Priscila no ministério reflete o reconhecimento da liderança feminina e a importância de sua contribuição para o crescimento da Igreja. Ela é mencionada várias vezes no Novo Testamento, evidenciando seu papel especial na propagação do cristianismo.
Febe: Diaconisa e Líder
Outro exemplo é Febe, uma diaconisa mencionada por Paulo na carta aos Romanos (Romanos 16:1-2). Febe não apenas serviu como líder na igreja em Cencreia, mas também foi responsável por levar a carta aos romanos, desempenhando um papel importante na comunicação entre as comunidades cristãs. Sua atuação como diaconisa e sua confiança por parte de Paulo revelam a importância das mulheres na estrutura da Igreja primitiva.
Conclusão
Ao longo de Sua vida e ministério, Jesus mudou radicalmente a maneira como as mulheres eram vistas e tratadas na sociedade. Ele rompeu com as normas culturais que limitava a presença feminina e as habilitou a serem mensageiras, evangelistas e líderes em Seu reino.
As mulheres puderam não apenas seguir a Cristo, como também cumprir Seu mandamento universal: “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Os homens já tinham sua honra estabelecida, mas as mulheres precisavam ter sua dignidade restaurada. Jesus não só as dignificou, como também lhes imputou propósito e voz, mostrando que, no Reino de Deus, todos têm valor e contribuição.
Você compreendeu porque além de Figurantes, as mulheres foram evangelistas, mensageiras e ensinadoras habilitadas por Jesus? O exemplo delas continua a inspirar a Igreja até os dias de hoje, lembrando-nos de que todos somos chamados a participar da missão de Cristo, independentemente de gênero ou posição social.