Teorias Científicas e a Emblemática Queda das Muralhas de Jericó

Se você precisasse derrubar um muro simples, como o da sua casa, que ferramentas você usaria? Talvez uma marreta ou algum equipamento pesado, certo? Agora, imagine derrubar muralhas gigantescas que cercavam uma cidade inteira! O povo de Israel teve uma experiência fantástica ao ver as imponentes muralhas de Jericó desmoronarem sem usar nada comum, apenas marchando e dando um grande brado. 

O povo, seguindo instruções divinas, marchou ao redor da cidade por sete dias, em silêncio, até que no sétimo, ao soar das trombetas e do grito coletivo,  as muralhas caíram. Para Israel, esse evento representou muito mais que a conquista de Jericó, mas a possibilidade de entrar, finalmente, na terra prometida.

Teorias científicas sobre a emblemática queda das muralhas de Jericó contribuem com a narrativa bíblica de houve uma intervenção sobrenatural. Você teria coragem de usar uma estratégia tão improvável para superar um grande desafio na sua vida, confiando que quem instruiu é maior que as ferramentas convencionais?

O Evento Bíblico

Fatos que Culminaram no Cerco de Jericó

A jornada que levou o povo de Israel até o momento do cerco de Jericó para dominá-la, começou centenas de anos antes. Após séculos de escravidão no Egito e uma miraculosa travessia pelo mar vermelho, cuja libertação foi liderada por Moisés, os israelitas passaram quarenta anos vagando pelo deserto. Durante esse tempo, Deus os guiou e os alimentou, preparando-os para entrar na Terra Prometida, uma terra rica e próspera que havia sido prometida a seus antepassados. Agora, sob a liderança de Josué, sucessor de Moisés, Israel estava à beira de conquistar essa terra. Mas, antes que pudessem tomar posse da promessa divina, havia um obstáculo amedrontador em seu caminho: Jericó, uma cidade fortificada com muralhas aparentemente intransponíveis.

Instrução Simples, Mas Desafiadora

O livro de Josué descreve o evento com clareza em Josué 6. As instruções de Deus a Josué foram detalhadas e precisas: o povo deveria marchar ao redor da cidade, uma vez por dia, durante seis dias, em silêncio total; e, no sétimo dia, deveria rodear a cidade sete vezes, com os sacerdotes tocando buzinas. Somente quando todo o povo ouvisse o som das trombetas, deveria gritar com grande brado e o muro da cidade cairia ao chão. A instrução foi simples e segui-la também parecia simples. Mas era fácil? Coloque-se no lugar: não parece uma loucura dar seis voltas em silêncio e, no sétimo dia, gritar e as muralhas ruírem? Essa era mais uma prova de fé para o povo.

A Queda Das Muralhas de Jericó

Então o povo, sob a liderança de Josué, assim se fez: “Os soldados armados marchavam à frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas, e o restante dos soldados seguia a arca.” e o povo calado. Ao final da sétima volta, ao som das trombetas e do grito de guerra do povo, “as muralhas da cidade desabaram”. Este cenário, em que uma simples marcha ao som de trombetas derrubam muralhas tão fortes, sublinha a impossibilidade humana de tal feito sem intervenção divina. Parece si

Contexto Espiritual 

O cerco de Jericó não era apenas uma batalha física; era também uma batalha espiritual e psicológica. Jericó representava a primeira grande cidade fortificada que Israel precisava conquistar na Terra Prometida. O sucesso ou fracasso na missão significava muito mais do que a simples posse de uma cidade. Ela colocava à prova a fé e a obediência do povo às instruções divinas. A pressão era intensa, pois uma falha poderia significar a desmoralização de um povo que já havia enfrentado inúmeras provações. Jericó, portanto, tornou-se um teste crítico da confiança de Israel em Deus.

As Muralhas de Jericó: Estrutura e Defesa

Descobertas Arqueológicas

As muralhas de Jericó eram uma impressionante obra de engenharia da antiguidade. De acordo com descobertas arqueológicas, a cidade era cercada por uma dupla linha de muralhas, uma interna e outra externa, que juntas formavam uma fortificação robusta. A muralha externa tinha aproximadamente 6 metros de altura e cerca de 2 metros de largura, feita de tijolos de barro sobre uma base de pedra, enquanto a muralha interna, ainda mais imponente, possuía cerca de 3 metros de largura e se elevava a uma altura de aproximadamente 9 metros. 

Curiosidades Sobre a Construção

O relato bíblico em Josué 6 descreve Jericó como uma cidade “com muralhas que chegavam até o céu”, o que pode ser entendido como uma hipérbole para enfatizar o poderio defensivo da cidade. Esse tipo de construção era comum na região, mas o tamanho e a complexidade das muralhas de Jericó as tornavam particularmente notáveis. Curiosamente, os arqueólogos também descobriram uma torre interna ligada à muralha, o que sugere que os habitantes de Jericó estavam preparados para resistir a cercos prolongados, utilizando a torre tanto como ponto de observação quanto como última linha de defesa.

Técnicas de Defesa da Cidade

A cidade era construída sobre um monte, o que proporcionava uma vantagem tática ao permitir uma visão clara de qualquer aproximação inimiga e dificultava o ataque direto às muralhas. Além disso, o espaço entre as muralhas internas e externas era preenchido por rampas íngremes, o que tornava o acesso ainda mais difícil para os invasores. Em termos de proteção adicional, a cidade contava com torres de vigia estrategicamente posicionadas ao longo das muralhas, permitindo aos guardas monitorar os arredores e lançar projéteis contra qualquer ameaça. Combinadas, essas técnicas faziam de Jericó uma das cidades mais bem defendidas de sua época, reforçando a sensação de segurança de seus habitantes e o status da cidade como uma fortaleza quase impenetrável.

Como a Ciência Explica o Fenômeno

Estudos Relevantes 

A queda das muralhas de Jericó é um tema que tem intrigado tanto arqueólogos quanto cientistas por muitos anos. As escavações realizadas, especialmente por arqueólogos como John Garstang e Kathleen Kenyon, na década de 1930, revelaram evidências de que as muralhas da cidade desmoronaram de maneira repentina, o que se alinha com a narrativa bíblica de um colapso inesperado.  Anos mais tarde, novas escavações confirmaram a fortificação robusta da cidade e que, de fato, sofreu uma destruição repentina.

Teorias Científicas

As teorias científicas sobre como as muralhas de Jericó podem ter caído variam, mas algumas das mais populares envolvem causas naturais. Uma dessas teorias sugere que um terremoto pode ter sido o responsável pelo colapso. A região onde Jericó estava localizada é conhecida por sua atividade sísmica, o que torna plausível a ideia de que um abalo sísmico poderia ter causado o desmoronamento das estruturas. Outra teoria propõe que o som das trombetas e o grito de guerra do povo, descritos na Bíblia, poderiam ter gerado uma ressonância ou vibração sonora que contribuiu para a queda das muralhas.

Coincidências que Reforçam o Milagre

Embora a ciência ofereça possíveis explicações naturais para o fenômeno, como terremotos ou vibrações, a precisão com que esses eventos teriam ocorrido, no momento exato em que Josué e o povo de Israel seguiram as instruções divinas, sugere a mão de algo maior. Para muitos, isso não diminui a natureza milagrosa do evento, mas sim a confirma, mostrando como eventos naturais podem ser alinhados com o tempo e a vontade de Deus para realizar propósitos específicos.

Desdobramentos na Cultura e na Crença

A queda de Jericó influenciou tanto a cultura quanto a religião de Israel e das nações vizinhas. Culturalmente, marcando o início da conquista da Terra Prometida e estabelecendo Israel como uma força significativa na região. Além de influenciar a arte e a literatura, por gerações, a narrativa da queda das muralhas tem sido uma fonte de inspiração e reflexão espiritual, sendo frequentemente mencionada como um testemunho do poder de Deus na tradição bíblica.

A Simbologia Espiritual

Reflexão Metafórica 

As muralhas de Jericó têm um profundo simbolismo espiritual que pode ser relacionado a desafios intransponíveis em quaisquer esferas da vida. Metaforicamente elas representam as grandes barreiras e oposições que todos nós podemos enfrentar. Cada um de nós pode se perguntar: qual é a minha muralha, hoje? O que parece intransponível em minha vida? Talvez seja um problema de saúde persistente, uma questão familiar complexa, dificuldades financeiras, ou um desafio emocional ou espiritual que você está lutando para superar.

Estratégias Não Convencionais

O relato bíblico nos dá um exemplo claro de como enfrentar obstáculos, mostrando que o povo usou elementos apenas simbólicos para conquistar a cidade de Jericó. O segredo da vitória estava na fé e na obediência a Deus, tendo em vista que seguiram fielmente as instruções dadas. Eles entenderam o que foi expresso em Salmos 44:3-7: “Não é pela sua espada que conquistaram a terra, nem pelo seu braço que lhes deu a vitória; mas pela tua destra, pelo teu braço e pela luz do teu rosto, pois te agradaste deles.” . As estratégias divinas, quase nunca farão sentido, porque não são naturais, mas, certamente são efetivas.

A Verdadeira Força

Este exemplo destaca de onde vem a verdadeira força para superar obstáculos. Em 2 Coríntios 5:7, é mencionado que “vivemos pela fé, e não pelo que vemos,”. Os olhos naturais dos israelitas viam as  muralhas, mas os olhos espirituais viam que Deus era maior que elas. 2 Coríntios 10:4 nos lembra que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruição das fortalezas.” Essas “armas” incluem a fé, a obediência e a confiança em Deus, que são essenciais para enfrentar e derrubar as muralhas em nossas vidas.

Conclusão

Curiosamente, as principais descobertas científicas modernas dão ainda mais credibilidade ao relato bíblico sobre a queda das muralhas de Jericó. Para Israel, não foi apenas uma vitória militar, mas o cumprimento de um destino profético, elevando o povo tanto na história, quanto espiritualmente.

Esse evento fortaleceu a confiança da nação em seu propósito e na certeza de que, com Deus ao seu lado, não haveria barreira impossível de superar. O povo conseguiu tirar os olhos do tamanho das muralhas, além de ignorar o fato de “parecer tolo aos olhos dos outros”, por usar uma estratégia nada convincente. Quantas vezes, apequenamos nosso Deus, focando mais no tamanho do problema. Quantas vezes não seguimos uma instrução divina com vergonha do que as pessoas vão achar?

As estratégias do Senhor, nem sempre fazem sentido, porque não são naturais, mas, certamente são eficazes. Assim, também precisamos trazer “à memória aquilo que nos dá esperança” (Lam 3:21). Lembrar quem somos e a quem servimos, nos dará a esperança e a fé de que precisamos para derrubar muralhas.

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